Conhecido pela sua estreita relação com a cultura do imigrante italiano, Benjamim Falqueto reúne em seu blog suas crônicas, poesias e hinos, como o Municipal de Venda Nova, de sua autoria

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Chico Zandonadi é o típico descendente de italianos que conquista a todos com seu senso de humor e presença de espírito. Além de jornalista, é professor de filosofia e transmite seus conhecimentos ao público de uma forma simples e clara, deixando a informação ao alcance de todos.




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Dona Sunta Miglioretto mora no sítio, mas sempre que pode dá uma "canjinha" na FMZ. Fã do Chico, D. Sunta adora dar palpites no programa e reclamar de seu marido, Miguel.






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  Publicado em 01-09-2009 às 14-24h

Lançamento do 1º CD do Coral Santa Cecília



Revolvendo velhas partituras musicais, já amareladas pelo tempo, encontramos nos arquivos do Coral Santa Cecília: “Missa De Virginibusin Honorem Beatae Mariae Virginis Immaculatae” (3 vozes mistas).

Essa missa, segundo Clementino Caliman, teria sioda cantada no dia 25 de dezembro de 1943 pelos alunos do Colégio Salesiano de Jaciguá (antiga Virgínia). O primeiro sacerdote filho desta terra abençoada celebrava sua primeira missa cantada – Padre Cleto Caliman.

Dia seguinte – domingo 26 de dezembro de 1943 missa “Ianua Caeli” soplenimente cantada pelos mesmos alunos de Jaciguá com acompanhamento de harmônio.

Que lindo! Coisa nunca antes vista aqui na roça: harmônio, banda de música, missa a duas vozes, três vozes mistas. Por quê não formar aqui um coro de vozes mistas? Idéia de quem? – De quem se não dele, do Pe Cleto. O que fazer. – Como fazer. – quem vai fazer. – Quando? “Poche Ciacole e Tanti Fatti” Dito e feito. Em 25 de dezembro de 1944 o novo coral formado de rapazes e moças e alguns adultosque os acompanhavam incentivando-os, cantava a mesma missa que fora cantada um ano antes pelos alunos de Jaciguá.

Não nos vamos deter nos detalhes da formação deste coral e nos muitos acontecimentos, sucessos, lutas inglórias e peripécias sem fim que ocorrem nesta longa caminhada; - são passados já 60 anos, - pois a programação desta noite não nos premite tomar muito tempo. Mas vamos falar de música.

A arte de cantar, a música folclórica e principalmente a música litúrgica sempre foi cultivada pelos nossos antepassados, os heróicos fundadores de Venda Nova. No início não havia padre. As celebrações dominicais eram presididas pelo coral antigo. Que saudade de ouvir o Vicente Caliman entoando o Veni Creator. Ouvir Cêncio, Nisio, Bepeta, Michel, Biral, Barba Chechi, Piero Toe, Bepi Toè, Bepi Lorenção e Narciso, Fortunato, Pascoal e Gênio Caliman, Laurentino Brioschi e Tantos outros. Com suas vozes fortes enchiam a Igreja de sonoros acordes. E as vozes femininas respondiam em coros alternados cantando as ladainhas de Nossa Senhora: Mônica, Ida, Serafina, Divina, Terezinha, Augusta, Maria...Quem mais? Foram tantas!

Nós Coral Santa Cecília somos fruto desse coral antigo que nos deixou tantos ensinamentos. A língua oficial da Igreja usada nas celebrações litúrgicas era o latim. Veni Creator, Ave Maris Stella, Iste Confessor, Te Joseph celebrent, Tantum ergo, Lauda Sion -cada solenidade com seus cantos próprios. Na semana santa celebrava-se o ofício das trevas, antífonas, salmo, leituras das cartas de São Paulo Apóstolo, lições do Ex-tractatu Sansti Augustini Episcopi super psalmos, lamentações do profeta Jeremias, laudes, cântico de Zacarias - o Benetictus. Tudo era cantado em latim. Parecia mesmo um convento de monges beneditinos! Frei João! Quanta saudade.

Nós amávamos cantar!

A música, a mais bela de todas as artes é capaz de despertar do fundo da alma os sentimentos mais vários que se escondem no âmago do ser humano. Desperta a alegria, desperta a tristeza, desperta a piedade, o amor, a felicidade, a saudade. Canta as belezas da vida, canta a glória do Criador, canta o civismo, canta canções de amor.

É capaz de colorir com matizes diversos os acordes mais sonoros. É capaz de imprimir um tom de suave melodia e paisagens multicoloridas. É capaz de cantar o orvalho da manhã e o por do Sol. A flor que desabrocha e a folha que cai, a primavera florida e os frutos do outono.

É capaz de cantar o canto do sabiá, da graúna, do canário, do uirapuru, o coaxar dos sapos na lagoa, o murmúrio da fonte que corre, o balançar das ondas no mar, o vento que sopra, a neve que cai. A música é a linguagem da alma. Para cada ocasião, para cada evento, para cada circunstância, para cada pessoa, para cada mínimo detalhe a música tem uma tonalidade própria para aquele momento. Por isso é que nós amamos a arte de cantar. Por isso é que o coral Santa Cecília canta há sessenta anos! Se tivéssemos que fazer uma coletânea das músicas cantadas pelo coral Santa Cecília desde a Missa “Ianua Coeli” até os cantos impressos no CD que estamos editando hoje, teríamos que fazer uma enciclopédia infinita, sem tamanho.

Pe. Cleto! A semente lançada naquele 25 de dezembro de 1943 caiu em terra fértil e deu bons frutos.

O Pe. Cleto não só lançou a semente, mas participou ativamente da vida do coral acompanhando-nos como colaborador, como incentivador, como patrono do nosso coral.

Hoje, Pe. Cleto, é uma grande alegria para nós tê-lo aqui presente colhendo conosco os frutos desta longa jornada musical que iniciamos há sessenta anos.

Pe. Cleto, nós amamos você. Senhores e senhoras deste seleto auditório, gostaríamos de agradecer pessoalmente a cada um de vocês que compareceram para prestigiar este evento. Agradecer a quantos nos incentivaram e nos deram apoio nesta longa caminhada.

Nosso muito obrigado a todos.

Permitam-me que encerre minhas palavras dirigindo-me aos meus colegas coralistas.

Canta Coralista...

A música arranca da alma
Sentimentos vários do ser humano
Dor, alegria bravura e calma
Formam acordes no nosso viver

Canta com vida as belezas da vida
Canta na morte o sofrer, canta a dor.
Quer na dor, ou na alegria incontida
Canta as glórias de Deus criador.

O sol da manhã, o dia que se vai
A flor orvalhada, as ondas do mar
O canto das aves, a folha que cai

São vivas sonatas que vão ressoar.
Canta coral vai longe, vai

Canta sempre não cesses de cantar.

* 03/07/2004 –Benjamim Falqueto (Bento Gonçalves)
** Escrito antes do falecimento de padre Cleto em fevereiro de 2005

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  Publicado em 06-04-2009 às 10-19h

A velha paineira da Praça São Pedro

(Crônicas)

Eu a conheci frondosa, exuberante, a copa enfolhada a cuja sombra eram amarradas tantas cavalgaduras, as mais diversas, único meio de condução para ir à Igreja aos domingos.Burros, mulas, cavalos; alguns famosos por seu andar elegante: o “nhapin”, o “andorinha”. Outros célebres por seus nomes exóticos: mulas sestrosas como a do Abel Tosi, do Antonio Falchetto, do Vicente Zandonadi, e outras, eram admiradas na praça como automóveis de luxo.

Quantas estórias e cenas hilariantes aconteceram debaixo da velha paineira. Quantos “judas” foram pendurados nos seus galhos. E o palhaço trazia no bolso do paletó o famoso “pasquim” – espécie de documentos em que o Judas legava seus pertences a qualquer pessoa da comunidade. Sempre havia algum afoito que lia publicamente o testamento em meio às gargalhadas dos presentes.
“... e deixou o paletó para o Sr. Job Zandonadi”.

O vovô Job, homem sisudo, de respostas lacônicas e precisas não se perturbou muito com a ridícula herança que lhe tocara e revidou serenamente: “E a ti el te há assa il bus Del cul pa far ‘na pipa”.

O estrondo da gargalhada reboou por toda a praça e todos tiveram conhecimento da impiedosa sentença do meu avô.

Ó velha paineira, não morra. Alguém já pensou em recupera-te ainda bem! Todos querem ver-te novamente viçosa, exuberante. Volta a dar tua sombra benfazeja, amiga. Volta a dar flores, frutos, volta a cobrir de flocos de algodão a praça São Pedro.

Assim nos trarás doces reminiscências da infância. Volta paineira, volta!

* Benjamin Falqueto

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  Publicado em 12-02-2009 às 11-39h

Excursão à Itália- parte 1



Antes de entrarmos no relatório propriamente dito da nossa excursão à Itália, acho interessante explicar ao leitor como surgiu essa oportunidade e qual o objetivo do programa do qual participamos lá na região do Vêneto. A Itália divide-se em várias regiões: Lombardia, Toscana, Emilia Romagna, Vêneto, Piemonte, Cecília, Sardegna e outras. A região do Vêneto, a que nós visitamos, é formada por sete províncias, para nós brasileiros seriam sete estados; são elas: Venezia, Padova, Verona, Vicenza, Rovigo, Treviso e Beluno.

A província de Treviso tem noventa e duas “Comune”. A “Comune”, corresponde ao nosso município. Deduz-se que são muito pequenos os municípios lá na Itália. O chefe da “Comune” chama-se Sìndaco; equivale ao nosso prefeito. “Prefetto” lá é outro cargo mais elevado: seria um representante do governo central nas províncias.

Pois bem: em todas essas províncias do Veneto existe uma associação que se preocupa e se interessa pelos emigrantes do Veneto espalhados pelo mundo. Essas associações recebem doações orçamentárias que são aplicadas na divulgação da cultura veneta entre os emigrantes e seus descendentes que se encontram no exterior.Esse intercambio sócio-cultural leva muitos emigrantes ou seus descendentes a voltar à Itália para estudar suas origens, conhecer a história e a arte da velha pátria. Além da divulgação da cultura veneta, com esse programa, inúmeros turistas visitam a Itália e isso naturalmente traz divisas para o país. Foi num programa desses de cunho sócio-cultural que nós embarcamos. Para nós vendanovenses que fomos agraciados com a maior representação na comitiva (uns cinqüenta entre capixabas e paulistas), foi muito válido participar dessa excursão. O programa é recente e vai continuar. Esperamos que nos anos vindouros outras pessoas, principalmente jovens, possam entrar num programa destes e enriquecer-se da história, da arte e da cultura veneta: vale a pena.

* Benjamin Falqueto

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  Publicado em 25-11-2008 às 08-46h

A laranjeira do engenho



(Crônica de Benjamim Falqueto por ocasião da morte de Ir. Antônia – 23/06/1992).

Fatos acontecem na vida da gente que ficam guardados na memória e jamais se apagam. Assim aconteceu a cercas de sessenta anos atrás.
No Sítio de Bananeiras onde o Sr. Antonio Falchetto criou a sua família havia um engenho de madeira puxado a bois para moer cana e fazer açúcar mascavo. É bom lembrar que naquela época Venda Nova do Imigrante era um lugarejo no interior da mata Atlântica. O centro comercial mais próximo - Castelo – distava nada menos que quarenta quilômetros; para vencer esta distância era necessário fazer uma marcha de oito a dez horas em lombo de burro. Por isso comprava-se somente o que era impossível ou inviável produzir aqui: sal, querozene para iluminação à noite, roupas, ferramentas, etc. Açúcar? Nem pensar. Era feito em casa.
Ao lado do velho engenho um rancho coberto de taboinhas onde ficavam as fornalhas para ferver a garapa até dar o ponto do açúcar dourado. Que coisa preciosa! Pra nós crianças era a melhor época do ano: o tempo da moagem da cana.
Lá vinha o tio Vante Zandonadi com a junta de bois amestrados para puxar o engenho. Em tempo de chuva o caminhar compassado dos bois pisando sempre no mesmo lugar faziam no chão um círculo de caldeirões. Parecia uma coroa ao redor do engenho.
Ao lado do grande círculo, preto da vala que conduzia água para serventia da casa, uma velha laranjeira; seu tronco e galhos cobertos de musgo atestavam que era muito antiga. Tanto o engenho como o casarão de pau-a-pique já estavam lá quando o vovô Ângelo Falquetto comprou s terras de Bananeiras em 1914, e a laranjeira também pois eu a conheci já velha. Apesar de velha nos dava Abundantes laranjas seletas.
Agora vem o interessante da saudosa estória:
Aos domingos após o almoço a Dorotea (Ir. Antônia) já moça de seus dezoito anos reunia os irmãos menores para o catecismo. Lá ia a turma: Catarina, Benjamim, Marcos, Felicita, Anastásia... Dorotea com o livrinho na mão ocupava seu lugar de mestra junto ao tronco da laranjeira; nós, sentados na relva, formávamos um semicírculo voltado para ela.
- Quem é Deus?
A resposta vinha em coro:
- Deus é um espírito perfeitíssimo, eterno, criador do céu e da terra.
- Quantos deuses há?
- Há um só Deus e não pode haver mais do que um.
Não raro o canário da terra que fazia o ninho na cumeeira do rancho, com seu trinado fazia coro com as vozes da criançada.
O gorjeio do sabiá no alto da laranjeira também parecia louvar a Deus com sua cantiga maviosa.
- Quantos são os mandamentos da lei de Deus?
- Os mandamentos da Igreja?
- Os sacramentos?
- Os vícios capitais?
- Os pecados contra o Espírito Santo?
Sessenta anos já se passaram. O velho engenho já não existe. O rancho deu lugar ao curral das vacas. As fornalhas foram trocadas pelos cochos onde é servida a ração para o gado.
A velha laranjeira sumiu; no lugar dela um frondoso jambeiro. A água corre subterrânea, encanada.
O canário não canta mais.
O sabiá...
Um dia desses ouvi no jambeiro o canto do sabiá.
Não era o mesmo.
A melodia era a mesma.
Cantava a saudade da irmãzinha que se foi para junto de Deus.
- Irmãzinha! Agora nós é que perguntamos:
- Quem é Deus?...

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  Publicado em 27-10-2008 às 16-30h

Mensagem especial do(a) formando(a)



Caro Professor Falqueto (Dr. Aluísio Falqueto)

A turma LVII do curso de Medicina da UFES sente-se muito honrada em tê-lo como patrono da turma.
Assim como a criança segue o exemplo do pai, esta turma deseja seguir o exemplo de seu patrono... Exemplo de dedicação, humildade, sabedoria, simplicidade e amor pela medicina.
Obrigado por nos ensinar muito mais do que a medicina!
Seus “filhos” da turma LVII.

Ilustríssimos Senhores pais e parentes dos formandos,
Senhoras e Senhores,
Meus queridos formandos,

O palco descortinado revela o cenário perfeito para um momento tão especial. São tantos e tão profundos os sentimentos que as palavras se tornam supérfluas ante os semblantes radiantes, expressões vivas da conquista de um ideal.

De nosso íntimo também emanam fortes emoções e, sensibilizados com esta homenagem, sé esperamos poder representar dignamente a figura paterna.
Nesta comunhão de sentimentos, nada mais justo do que rendermos nossa homenagem maior aos pais e aos parentes dos formandos. Vocês representam aqui a família, célula mater da sociedade, onde foram plantadas as sementes, cujos rebentos começam a frutificar.
Aos senhores pais peço a permissão para me dirigir aos formandos, dizendo: meus filhos, a partir de hoje vocês são médicos. Mais importantes que o juramento proferido, serão os seus atos; porque as palavras são evanescentes e logo se perdem no tempo; já as ações causam impacto, impressionam e configuram o caráter.
Hoje a sociedade lhes delega competência para o exercício da mais nobre dentre todas as profissões. Estes acenos representam o reconhecimento daqueles que acreditaram na sua capacidade e ora os incentivam para o início da nova jornada.
Olhando em frente perceberão que a ceara é vasta e há trabalho para todos os médicos de boa vontade. A tarefa é árdua, com muitos espinhos pelo caminho e boa parte do campo está minada pela fome e pela miséria.
Mesmo com todo o vigor da juventude, em algum momento de desolação se voltarão para a sociedade dos homens sapientes perguntando: como colocar em prática tudo o que aprendemos? Como plantar saúde em um terreno tão infértil?
Parecerá uma luta inglória, sem vitória. No entanto, terão que erguer a fronte, avançar e hastear a bandeira, mesmo ouvindo os acordes do hino se confundirem com lamúrias de crianças famintas.
Façam a sua parte. Sejam fortes, conservando, porém, a sensibilidade. Sejam dignos e superiores, dedicando uma parcela de seu tempo à causa dos desvalidos, aqueles que nem sequer acalentam sonhos, só esperam pela mão amiga que lhes mitigue a dor.
Entre tantos outros dilemas, terão também que se Adaptar aos avanços tecnológicos da medicina, com equipamentos cada vez mais sofisticados, porém de alto custo, acessíveis somente a pequena parte da população.
E em meio a ressonâncias, ultra-sonografias, eletros e tomografias, perceberão ainda que as máquinas são frias e precisam ser aquecidas com calor humano. Portanto em todo ato médico, acrescentem sempre à receita do paciente uma dose de amor.
Primem antes de tudo pelo conhecimento científico, pela ética e respeito ao ser humano. Assim estarão praticando a medicina de terceiro milênio.
E todos que os acompanham nesta caminhada, cada vez mais se orgulharão de terem participado da sua formação.
Satisfação ainda maior é a nossa, por tê-los orientado quando alunos, mas, principalmente, porque agora, colegas, vocês continuam ao nosso lado e juntos caminhamos na mesma direção.

Vamos em frente! Sejam felizes!

* Benjamin Falqueto
Muito obrigado!

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  Publicado em 16-06-2008 às 15-22h

Bananeiras

Uma velha fazenda situada em frente ao atual posto Jaguaré deu o nome ao bairro Bananeiras. O casarão, em estado de ruínas quando aqui chegaram os imigrantes italianos, foi desmontado e algumas peças de madeira como portas, portais, janelas etc. foram utilizadas na construção da velha casa onde morou o Sr.Antônio Falchetto. Na velha fazenda havia um mangueirão cercado com achas de braúna onde se criavam manadas de porcos, que eram alimentados com milho, mandioca, inhame e banana, muita banana; (daí a origem do nome “Bananeiras”).

A fazenda foi adquirida pelos irmãos Ângelo, José e Francisco Falqueto e retalhada para seus filhos. Parte dela ficou com Miguel Zandonadi.Posteriormente foram anexadas novas áreas de terras devolutas formando o pitoresco bairro Bananeiras que hoje se estende pelo Alto Bananeiras até os limites com Afonso Cláudio.

Verdes cafezais, abacateiros carregados, lindos pomares de tangerinas, paióis abarrotados de milho, campos cobertos de feijão, bananas em abundância, aviários de corte e postura currais com plantéis de vacas leiteiras de primeira linha, além de florescentes indústrias de granito formam a riqueza da região.

Uma estrada de chão ensaibrada e bem conservada, serpeia serra acima até a torre de tv e telefonia celular, de onde se descortina a mais bela vista panorâmica do município. Águas Cristalinas descem brancas pelas cachoeiras formando alegre-eterna sinfonia com o ronco dos barbados e gritos dos jacus e tucanos. Bandos de pássaros, manadas de quatis, macacos e muitos animais silvestres vivem nas matas que ainda são conservadas nas encostas íngremes da Pedra do Rego, da Pedra do Camelo e do Pico do Garrafão, também chamado de Pedra do Campo. Um verdadeiro parque ecológico! Mansas paquinhas vêm comer abacates, chuchus e bananas pertinho de casa, no fundo do quintal.

Pena que alguns caçadores inescrupulosos insistem em não respeitar as leis e a natureza destruindo animais e pássaros que outros procuram preservar com tanto carinho.
Alô!Meu caro amigo: “la vita è bella”; a natureza também é bela. Vamos respeitá-la e conservá-la.

Benjamin Falqueto

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  Publicado em 04-04-2008 às 08-08h

Emaús

Dois caminheiros tristes sozinhos
Pelos caminhos de Emaús
Foram seguindo e se perguntaram
Porque mataram o Mestre Jesus?

Desfez-se o sonho do Reino falado
Tão esperado pro povo salvar
- Sem nosso Mestre vamos agora
Tais como outrora escravos ficar.

Juntou-se a eles outro viajante
E num instante lhes perguntou
- Que estais dizendo? Que foi que ouvistes?
Coisas tão tristes quem vos contou?

- Só tu não sabes do acontecido?
O Mestre querido foi posto na cruz
Embora disseram algumas senhoras
Que às primeiras horas viram Jesus.

O forasteiro foi lhes falando
Os encantando com seu saber
Das escrituras e dos profetas
Palavras certas lhes fez conhecer

A noite fria chega ligeiro
E o forasteiro quis ir além
Mas lhe disseram:- Fica conosco,
Temos encosto pra ti também!

Os dois amigos quando jantavam
Se perguntavam na fosca luz
-O companheiro que nos seguia
Será o Messias, o próprio Jesus?

Logo tiveram esta certeza
Quando na mesa o pão abençoou
-Tenho assim feito, pois vos amei
Tomai e comei o pão que vos dou.

Volta a alegria o Mestre está vivo
E redivivo de glória e esplendor
Apelo da alma surge de novo
-Fica conosco bondoso Senhor!

Quem de nós todos na dura lida
Não teve na vida horas de dor
Volta-te a Ele, é teu amigo.
Fica comigo, bondoso Senhor!

No desamparo, no desalento,
Que sofrimento amigos não ter
Não te preocupes se a dor é forte
Grande é tua sorte Jesus te querer

Quem já não teve noites escuras
Tristes agruras noites sem luz
Volta-te a Ele. É teu amigo
-Fica comigo bondoso Jesus.

Benjamin Falqueto

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  Publicado em 10-03-2008 às 14-56h

Canário-da-terra



Na fazenda havia um velho moinho de fubá tocado água. Girava, girava o dia todo, o ano inteiro sem parar.

De manhã, bem cedinho, lá ia o vovô com um pouco de milho no saco; despejava-o na moega e soltava a água. O moinho dava partida lentamente: “galejo”, “galejo” até atingir sua velocidade normal. Volta e meia uma sacudida mais forte fazia cair mais milho; aí a conversa era outra: “ta dur... ta dur... ta dur”. Novo embalo e retornova ao seu ritmo normal. À tardinha o milho estava acabado e o moinho em ritmo acelerado, avisava: “tem poc... tem poc... tem poc...”.

Antônio! O moinho tá moendo pedra!...

E lá ia o vovô recolher o fubá fruto de uma jornada de trabalho da laboriosa máquina.

Ao abrir a porta um bando de canários-da-terra levantava vôo em todas as direções. Lá encontravam comida farta durante o ano inteiro.

Aos primeiros albores da aurora, o trinado do canário na cumeeira do paiol, anunciava a chegada do novo dia. Era como o despertador para a dona da casa se levantar e preparar o café da manhã.

Mas o canário não canta mais. Na polifônica algazarra dos pássaros saudando a madrugada, falta o trinado do canário, nota dominante da alegre sinfonia.

No moinho somente a garrincha à procura de algum inseto. Na laranjeira somente o gorjeio do sabiá. Que lindo! Na cumeeira do paiol, só o canto lúgubre da coruja noctívaga se despedindo da noite de luar.

- E os canários, cadê os canários?
- Ah! Já sei. Foram aprisionados, encarcerados.
- Mas por quê? Que mal fizeram?
Tempos se passaram...

E o canário voltou. Voltou com força, em bandos: para freqüentar o moinho de fubá; para comer canjiquinha no terreiro da fazenda, para cantar de madrugada na cumeeira do paiol...

Nota do autor: Dedico este artigo aos protetores de canários-da-terra que com muito carinho e muita persistência conseguiram repovoar as “fazendas” com bandos de canários.
Parabéns!

Agora é a vez do trinca-ferro... Em vias de extinção. Vamos protegê-lo?

Benjamim Falqueto

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  Publicado em 25-02-2008 às 10-41h

Congresso Nacional (2007)

• A política brasileira também serve de inspiração para Benjamin Falqueto. Leia este soneto.

Promontório cívico de alta qualidade
Oradores brilhantes de cérebro fecundo
Conduzem o país com rara habilidade
Tornando o Congresso o mais caro do mundo

Para a plebe “panem et circum”, nada mais
Para eles mordomias, privilégios, até mensalão
Tarifas, tributos pesados demais,
Pra quem trabalha e sustenta a nação

Merecem aplausos tão raros talentos
Discutem utopias, até sexo dos anjos.
Por voto secreto resolvem-se arranjos

Instalam CPIs estão sempre atentos
Uma coisa somente a todos intriga
Maior que a cabeça eles têm na barriga

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  Publicado em 21-02-2008 às 11-41h

A Orquídea



Mais linda do que a rosa
Mais bela que o jasmim
Das flores mais formosas
És a rainha enfim

O sol te faz carícias
A lua te faz cortejo
A brisa com delícias
Também te dá seu beijo

Labiata de tão lindas cores
Tu és a rainha das flores

Se vives té nas rochas
Florindo qual sorriso
Também te desabrochas
Pra ornar o paraíso

O verso que te canto
Aclama-te a mais linda flor
Traduz em doce encanto
Um hino ao Criador

Labiata de tão lindas cores
Tu és a rainha das flores

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  Publicado em 18-02-2008 às 16-48h

Hino a Venda Nova

* Na estréia do blog e lembrando da comemoração dos 20 anos de emancipação política, conheça os versos que enaltecem Venda Nova do Imigrante, criados por Benjamin Falqueto.

Letra: Benjamim Falqueto
Música: Emiliano Pedrino Lorenção

Venda Nova formoso recanto,
Áureo berço risonho e gentil;
Tu revelas um misto de encanto
Resplendendo em amor teu perfil!

(Estribilho)
Sim cantemos com alma vibrante,
Desta terra o ardor juvenil;
Imitemos o bravo imigrante,
A lutar pelo bem do Brasil.

Acalanto de paz e harmonia,
Das montanhas formoso jardim;
Sempre cresça em fremente alegria,
Tua beleza real e sem fim.

Mocidade risonha e contente.
Do teu berço o valor singular.
Salvaguarda e floresça somente
Em teu seio a virtude sem par.

Elevemos ao céu nossa mente.
Procuremos luzir cada lar,
A partir de tão rico presente,
Demos graças a Deus sem cessar.

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